Na manhã desta quinta-feira (15), a Operação Cavalo de Tróia provocou um grande alvoroço na política de Macapá ao atingir o vereador Daniel Theodoro (PSOL) e outros integrantes da Câmara Municipal. A investigação investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo a facção Família Terror do Amapá (FTA), que estaria infiltrando membros em empresas que prestam serviços ao poder público, além de buscar favorecimentos no sistema penitenciário do Estado.
De acordo com as informações da polícia, o esquema se sustentava em um jogo de troca de favores, onde integrantes da facção eram indicados para vagas de trabalho em empresas terceirizadas. Em contrapartida, figuras ligadas à FTA teriam oferecido apoio político aos agentes públicos envolvidos. O vereador Daniel Theodoro, que foi reeleito recentemente com 4.542 votos, era o primeiro vice-presidente da Câmara, cargo que ocupava desde a nova composição eleita apenas dois dias antes da operação.
A investigação levou ao afastamento do suplente de Theodoro, do diretor do Departamento de Ressocialização e Cidadania do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), além de uma servidora da Ouvidoria da Câmara Municipal. No total, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em diversos locais, incluindo gabinetes e residências.
O presidente da Câmara, Pedro DaLua (União Brasil), manifestou sua preocupação em uma nota, lembrando que a operação ocorreu logo após a eleição da nova Mesa Diretora. Ele defendeu a necessidade de imparcialidade nas investigações e a importância de que o combate ao crime organizado não interfira na autonomia do Legislativo.
Daniel Theodoro, natural de São Paulo, tem se destacado em sua atuação política, com pautas voltadas para melhorias na educação, saúde e direitos de pessoas com fibromialgia. Contudo, sua situação agora se complica com as acusações graves que pairam sobre ele e seus colegas. A defesa do vereador ainda não se pronunciou publicamente sobre os eventos.
A investigação revelou que uma liderança feminina da facção estaria atuando para mobilizar apoio comunitário e, em troca, servidores e parlamentares teriam disponibilizado vagas de emprego e regalias dentro do sistema prisional. Essa relação comprometedora levanta sérias questões sobre a integridade e a segurança pública na região.
A Câmara Municipal de Macapá enfrenta um momento de instabilidade política, especialmente considerando que a eleição da nova Mesa Diretora já foi marcada por impasses judiciais. Com o afastamento de Theodoro, a vereadora Margleide Alfaia (PDT) torna-se a figura mais próxima da presidência da Casa, assumindo um papel central em um cenário que continua a se desenrolar.
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