A Polícia Civil do Amapá desencadeou, na manhã desta quinta-feira (15), a Operação Cavalo de Tróia, que resultou no afastamento do vereador Daniel Theodoro (PSOL) e mais três pessoas, entre elas um suplente e dois servidores públicos. A ação, que contou com a colaboração do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), investiga um esquema que supostamente favorecia membros da facção Família Terror do Amapá (FTA) com acesso a vagas de emprego e privilégios no sistema prisional.
Durante a operação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em locais estratégicos, incluindo residências, gabinetes da Câmara Municipal de Macapá e o Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen). As investigações indicam que pessoas ligadas à facção eram indicadas para cargos em empresas que prestam serviços ao governo, enquanto líderes do grupo criminoso ofereciam apoio político a agentes públicos envolvidos no esquema.
Além disso, um dos chefes da facção, que está cumprindo pena no Iapen, teria recebido benefícios através de favores no sistema penitenciário, conforme apurado pelo Gaeco. Essa situação levanta preocupações sobre a relação entre crime organizado e política local.
Em resposta à operação, o presidente da Câmara Municipal de Macapá, Pedro Dalua, emitiu uma nota destacando a estranheza da ação, que ocorreu apenas dois dias após a eleição da nova Mesa Diretora, atingindo diretamente um dos membros da chapa vencedora. Dalua informou que a Procuradoria da Câmara buscará o afastamento cautelar do delegado responsável pela investigação, alegando que há motivações externas à finalidade investigativa.
O presidente também enfatizou que a Câmara não se opõe ao combate ao crime organizado e que espera que as investigações sejam conduzidas com imparcialidade e transparência, sem que haja interferências políticas nas ações policiais.
Os afastados da operação incluem o vereador Daniel Theodoro, um suplente, o diretor do Departamento de Ressocialização e Cidadania do Iapen e uma funcionária da Ouvidoria da Câmara. Além dos afastamentos, a Justiça impôs diversas medidas cautelares, como a proibição de contatos entre os investigados e testemunhas, além de restrições de acesso a órgãos públicos.
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