As queimadas durante a estiagem no Amapá têm trazido sérias consequências para a saúde da população, refletindo-se em um aumento significativo no número de atendimentos no Hospital de Emergência (HE) em Macapá. Este crescimento, especialmente de pacientes com quadros leves, tem sobrecarregado a unidade, que já enfrenta desafios para atender casos graves e urgentes.
Os dados mais recentes revelam um aumento alarmante nos atendimentos: de 3.599 em março, o número saltou para 9.364 em maio, e continuou crescendo nos meses seguintes, atingindo o pico de 10.458 atendimentos em agosto. Embora tenha havido uma queda em setembro, a maioria dos pacientes atendidos não se enquadrava no perfil exigido para um hospital de emergência, mas sim nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
Djalma Guedes, diretor do HE, fez um apelo à população para que busque os serviços adequados, permitindo que a equipe do hospital foque em atendimentos que realmente envolvam risco de vida. “Quando pacientes que poderiam ser atendidos em unidades de atenção primária vão diretamente ao hospital, isso compromete o fluxo assistencial e pressiona uma estrutura que deve estar preparada para situações críticas”, ressaltou.
A triagem no HE revela que 73,5% dos atendimentos são classificados como moderados ou pouco urgentes, com apenas 0,6% sendo emergências reais. Isso demonstra a necessidade de uma melhor orientação da comunidade sobre onde buscar atendimento. Enquanto as UBSs são apropriadas para cuidados preventivos e sintomas leves, as UPAs devem ser procuradas em casos de urgência que não apresentam risco iminente de morte. O HE, por sua vez, é exclusivo para situações graves e traumas.
O Hospital de Emergência atende não só a população de Macapá, mas também de todos os 16 municípios do Amapá e regiões insulares do Pará. “É fundamental que os cidadãos conheçam o papel de cada unidade de saúde e procurem o serviço certo no momento certo”, concluiu Djalma, reforçando o compromisso do HE em salvar vidas.
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